Priiiiiiiiiiiii! - apita e aponta para o meio de campo. A torcida grita gol enquanto o goleiro e a zaga avançam para cima do árbitro.
"Tá maluco ?! Não foi gol !", reclama o zagueiro
"No meu entendimento foi gol sim", defende o juiz
Os jogadores se entreolham assombrados.
"Como assim no seu entendimento ?"
"A regra é clara, mas cada árbitro tem seu entendimento e no meu entendimento foi gol."
"A bola não entrou ! Eu espalmei ela pra fora!", defende o goleiro.
"Como juiz, preciso me ater a complexa hermenêutica das regras do futebol nacional. O gol, como fim em si, se justifica não apenas pela materialização do fato mas também pelo cunho intencional da bola e do atacante."
Nesse ponto não havia mais como entender o árbitro.
"Como é que é ?", perguntaram em uníssono.
"Vejam bem, o atacante chutou com força exuberante, infringindo velocidade estupenda à pelota, que como um projétil dirigiu-se ao gol. Fica clara a intenção esférica de gol bem como do atacante que a propulsionou em direção à rede."
"Isso é palhaçada!, bravejou o goleiro.
Aproxima-se o bandeirinha e sussurra ao ouvido do árbitro. Ele acena a cabeça e balança ativamente os braços anulando o gol.
"O que foi agora?" indagou o zagueiro.
"Mudei meu entendimento. A bola foi claramente para fora."
O zagueiro olha para o bandeira sem entender nada:
"O que danado você falou pra ele?"
"Lembrei de uma jurisprudência em caso semelhante."
"Só isso?"
"Isso e a senha de uma mala que está no vestiário dele."
terça-feira, 6 de junho de 2017
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Que país é esse ?
Joseph-Marie Maistre entrou para história com a frase "Cada povo tem o governo que merece." e a medida que regimes democráticos evoluem, ela se torna cada vez mais verdadeira.
Tome-se o Brasil por exemplo. Reclamamos dos políticos que temos mas ao mesmo tempo rejeitamos os que realmente significam algum tipo de mudança para nossa sociedade. Explico-me: o retrato da nossa política atual é um retrato do nosso ideal desejado de estado.
O brasileiro quer um estado provedor. Ele quer se aposentar cedo, quer regalias e privilégios em seu trabalho, quer segurança para si e sua família sem ter que se arriscar ou esforçar-se para tanto. Ao invés de acordar cedo e trabalhar com afinco, o brasileiro quer que o estado garanta sua sobrevivência. Qualquer esforço pessoal a mais de sua parte é luxo.
Ora, não há como eliminar riscos e gerar privilégios sem contrapartida. Alguém vai ter de pagar por isso. Uma sociedade em que todos recebem do Estado e ninguém precisa devolver nada em troca é insustentável. Porém, iludidos por esse ideal utópico, escolhemos demagogos e representantes que querem "garantir" saúde, educação e benefícios para todos.
Só existem dois tipos de pessoas que prometem o que sabem ser impossível: o ignorante que não sabe o que está dizendo e o desonesto que mente para obter vantagem pessoal. Esses são nossos políticos, esse é nosso governo: ignorantes e desonestos, quando pra piorar muitas vezes uma combinação dos dois...
Mudar isso não é fácil nem rápido e só vai começar quando nossa ideia fundamental de Estado valorizar mais os indivíduos que querem viver de seu próprio trabalho e não de falsas promessas de falsos salvadores.
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Inflação
A inflação é um perigo imenso pois age de maneira contínua e com intensidade moderada. No curto prazo é difícil perceber sua influência, mas no longo prazo o efeito é devastador. Por isso é comum vermos grandes fortunas ruirem com o passar das gerações.
Lembre-se que a inflação é a forma mais simples do Governo pagar sua dívida e equilibrar-se fiscalmente, mesmo que isso signifique empobrecer sua população. Todos os Governos buscam a inflação ainda que controlada, então devemos sempre nos preparar para o cenário inflacionário.
Ativos físicos (imóveis, ouro, obras de arte) protegem da inflação de maneiras diferentes e essenciais, mas sem um controle efetivo do fluxo de caixa corre-se o risco de corroer patrimônio ao longo do tempo.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Decadência
Ontem, pela primeira vez em minha vida adulta tomei antibiótico. Sempre fui contra a ingestão precipitada de remédios, mas tenho de admitir que sem eles a humanidade não teria a expectativa de vida que tem.
Não há como evitar uma crescente sensação de decadência, como se a minha juventude estivesse esvaindo aos poucos sem haver nada que eu possa fazer.
sábado, 3 de janeiro de 2015
Fim de Ano
Ano novo é hora de verificarmos o cumprimento de metas e estabelecer novas para esse período que se inicia.
1-Controlar minha ansiedade excessiva : Esse é um trabalho que nunca vai terminar mas fiquei satisfeito com meu comportamento durante todo o ano. É um controle delicado que leva bastante tempo para dominar. Keep up the good work!
2-Rever o valor que dou as situações ao meu redor: Tenho deixado situações para pessoas próximas resolverem. Muito embora isso me cause certa angústia imediata, no longo prazo consigo ganhar mais tempo para outras prioridades. Assim como no item 1, essa é uma meta que devo continuar a desenvolver nos próximos anos.
- 1 hora semanal de meditação. - Não consegui priorizar esse exercício. Algumas semanas atingi essa meta mas na maioria falhei por completo ou alcancei no máximo 15 minutos.
- Prática regular de exercícios físicos. - Cumpri com folga os 5km. Fim de ano atrapalhou bastante mas estou com a mente pronta pra manter o sedentarismo distante.
- Ler mais. - Fracasso total. Dos 15 livros que planejei ler mal li 4... Vamos tentar recuperar em 2015 com 12 livros no ano.
-Melhorar alimentação. - Done! Manter frutas e verduras e diminuir o sorvete.
-Voltar mais cedo do trabalho. - Parcial ! Foi bom enquanto durou, esse ano precisarei bolar um horário diferente. Talvez aproveitando os horários de almoço em casa. Voltar mais cedo está cada vez mais difícil...
E para 2015 :
-Desenvolver um novo negócio.
-Escrever com mais frequência.
-Encontrar um apartamento maior. :)
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Escravidão pelo Medo
Até o século 19 os escravocratas exerciam a força bruta para submeter outros humanos às suas vontades. O uso de chibatadas e correntes conjugados com torturas e agressões físicas inseria o medo necessário para a submissão. Tratava-se de um medo real e imediato, vivenciado dia a dia pelo escravo e alimentado com freqüência pelos mestres de forma a administrar sua propriedade.
Por pior que possa parecer, atualmente estamos em direção a um regime ainda mais tenebroso de submissão pelo medo. Bombardeados diariamente com notícias extraordinárias de violência, somos levados a crer que estamos testemunhando situações corriqueiras segregando nossa sociedade cada vez mais dentro de seus apartamentos e condomínios.
Vejo políticos do PT exclamando:
-"ELES" não querem que o povo tenha acesso a educação
-"ELES" vão acabar com o bolsa família e outras conquistas sociais
Vejo políticos do PT exclamando:
-"ELES" não querem que o povo tenha acesso a educação
-"ELES" vão acabar com o bolsa família e outras conquistas sociais
São disparates sem lógica alguma que servem a um único propósito, disseminar o medo na população levando a crer que seus adversários são monstros que querem aterrorizar a população. É uma estratégia vergonhosa não apenas no campo político mas no próprio campo moral.
Nasci juntamente com o grito de diretas já, e nunca imaginei que minha geração fosse presenciar um governo tão voltado para o autoritarismo. Jornalistas são processados por emitir críticas verdadeiras e legítimas a órgãos que não desempenham suas funções de maneira adequada. Analistas de mercado são perseguidos por informar fatos comprovados que contrariam a vontade da presidente. O que vejo é uma sociedade que ao invés de se desenvolver passou a involuir e tornar-se cada vez mais ultrapassada.
Nasci juntamente com o grito de diretas já, e nunca imaginei que minha geração fosse presenciar um governo tão voltado para o autoritarismo. Jornalistas são processados por emitir críticas verdadeiras e legítimas a órgãos que não desempenham suas funções de maneira adequada. Analistas de mercado são perseguidos por informar fatos comprovados que contrariam a vontade da presidente. O que vejo é uma sociedade que ao invés de se desenvolver passou a involuir e tornar-se cada vez mais ultrapassada.
Crianças na Rua
Gastamos fortunas com câmeras de TV, grades, alarmes, seguros e seguranças para tentar aplacar o medo espalhado diariamente em todos os canais de comunicação. Tememos estranhos nas ruas, tememos ligações não identificadas, tememos qualquer abordagem num sinal, sobretudo temos pavor pelas nossas crianças.
Pavor talvez seja pouco, estamos aterrorizados com os riscos aos quais nossos filhos são expostos diariamente. Avistamos vultos nas ruas espreitando pelo melhor momento para sequestrá-los, alimentos minúsculos não triturados são certeza de sufocamento, qualquer sintoma é sinal de uma doença fatal e obscura. É uma lista interminável de medos e aflições que destroem qualquer possibilidade de felicidade plena em nossas vidas.
Crianças molestadas por estranhos na rua, sufocadas com pipoca e acometidas por um mal incurável mesmo quando somadas não chegam a 1% da população. Por que os outros 99% têm de sofrer tanto ?
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