terça-feira, 25 de agosto de 2026

O fim do dinheiro



Escrevi há alguns anos sobre como seria a sociedade quando o dinheiro perdesse completamente o valor no texto Sociedade Pós-monetária, e hoje, com o desenvolvimento da IA e de Robôs autônomos, esse sonho está cada vez mais próximo. 

À medida que o custo de produção de bens e serviços vai se aproximando de zero, o dinheiro perde cada vez mais a importância e a capacidade de atrair interesse das pessoas. Comentei que antes disso acontecer, a sociedade se tornaria mais hedonista e é exatamente o que vemos hoje:

  • As pessoas buscam "qualidade de vida" acima de sucesso profissional. 
  • Academias se tornaram mais parte da nossa rotina do que shopping centers. 
  • A qualidade alimentar se tornou um obsessão para muitas pessoas.
  • Longevidade, suplementos e saúde mental se tornaram tópicos do dia a dia com mais frequência do que dicas de investimento.
  • As experiências vividas se tornaram troféus mais importantes do que o patrimônio conquistado.

Todas essas mudanças trazem uma preocupação, pois concentra demais o foco no presente. Uma sociedade que não planeja sua sucessão, por mais longeva que venha a ser, está fadada ao desaparecimento.

Alguns indivíduos já conseguem perceber que o propósito mais nobre é poder contribuir de forma permanente, ou duradoura, seja com uma obra de arte, uma inovação tecnológica ou contribuição científica que faça a humanidade avançar.

Com o tempo somente elas restarão no mundo: as pessoas que possuem o fogo da curiosidade dentro de si. As pessoas cuja inquietude do saber procura sempre expandir, seja seu conhecimento pessoal, seja rumo às estrelas.




Carrossel


Tento, mas não consigo. Sempre que acredito estar evoluindo e chegando a uma nova etapa, percebo que apenas dei mais uma volta. Meu dia a dia é um carrossel. Com altos e baixos montando a galope o cavalo de mentirinha, sigo em frente, sem perceber ou sem querer me dar conta de que estou apenas andando em círculos.

Ela está chateada comigo. E com razão. Falhei em atender suas expectativas. Faço planos e imagino um futuro melhor para nossa família, mas minhas ideias se transformam em palavras sussurradas que acabam abafadas pelo som da música circense da rotina. Tudo que consigo escutar são minhas reclamações injustas e ingratas. Lamentável ladainha que falho em reprimir.

Não sou ingrato. Disso tenho certeza. Sei tudo que ela fez por nós. Por mim. O quanto foi sacrificado e dedicado, todo o esforço, toda a energia e carinho. Sinto isso todos os dias em meu coração, mas por algum motivo falta-me a energia para colocar isso para fora e agradecer. Talvez eu seja ingrato. De que adianta minha gratidão interna? Gratidão precisa ser externalizada para ser completa e perfeita, sem isso ela perde a eficácia. Gratidão incólume não é gratidão, não sei o que é.  De que adianta sentir sem deixar o sentimento vir ao mundo?

Agir assim não é uma escolha consciente. Não é algo pensado, muito pelo contrário, é inerente aos meus defeitos. Talvez seja esse meu desafio, aprender a agir diferente, escolher melhor o que vem sendo feito no automático. Minhas escolhas são sempre para o nosso bem. Minha família. Posso não acertar todas, mas tentei com as melhores intenções. Posso não externalizar o que penso e o que sinto, mas está dentro de mim.

Dentre todas essas escolhas e investimentos que fiz na vida, tenho uma certeza: ela foi a melhor. Se hoje sou o que sou, tenho o que tenho, foi por conta dessa escolha. Sei que as dificuldades aparecem no caminho, o vento e a chuva podem atrapalhar, mas ao fim do passeio, quando o carrossel parar e eu finalmente descansar, vou lembrar de todas as voltas que dei com eterna alegria e agradecer pela melhor escolha que fiz.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Virando a Página



Uma das atitudes mais difíceis que podemos tomar na vida é deixar para trás uma etapa ruim. Nossas mentes resistem com força a admitir uma falha, um fracasso ou uma perda. A dor do fracasso costuma pesar mais do que a alegria de um sucesso — e é justamente por isso que as lições mais profundas e duradouras nascem das agruras anteriores.

Um caminho possível é enxergar essa etapa sob outras lentes: não como tempo perdido, mas como tempo de aprendizado. O essencial, porém, é abandonar o tormento — aquele processo interminável que se repete mentalmente e parece ancorar o nosso desenvolvimento, impedindo o avanço.

Tão desafiador quanto isso é deixar para trás uma época boa. O desejo quase infantil e hedonista que ainda habita em nós quer perpetuar aquela rotina, aquele sentimento, aquela estabilidade. Mas a vida, por sua própria natureza, não permite a permanência. Tudo se move, tudo se transforma.

Aceitar o fim de um ciclo — seja ele doloroso ou feliz — é um ato de maturidade. É reconhecer que o passado, por mais intenso que tenha sido, já cumpriu o seu papel. Só assim criamos espaço para o que ainda está por vir.

terça-feira, 6 de maio de 2025

The Warren Buffet Way

Após quase um século de vida, o bom velhinho da Berkshire passou o bastão. Será difícil encontrar um sucessor tão carismático e fiel aos seus princípios quanto ele. 

Em uma época em que o imediatismo impera, ele continuou multiplicando patrimônio com princípios de longo prazo que muitas vezes foram postos à prova, e resistiram. Talvez essa seja a principal lição que ele deixa: dar valor ao que tem valor de verdade e não a modismos passageiros, e deixar o tempo fazer seu trabalho.





terça-feira, 29 de abril de 2025

Consumismo

Uma pessoa isenta aos impulsos do consumismo é mais feliz. Simples assim.

Vou além, a capacidade de uma pessoa de controlar seus desejos tem relação direta com a sua felicidade. Seja o desejo por uma taça de sorvete a mais, por uma hora de sono a mais ou até aquele Iphone 16 que acabou de ser lançado.

Na prática, nenhuma dessas indulgências vai agregar o valor da experiência anterior. O ganho marginal nesses casos é decrescente, por isso a segunda taça de sorvete, a hora de sono a mais e o último modelo não trazem a felicidade que o imediatamente anterior trouxe. Pelo contrário, a diminuição na eficiência da alocação do recurso vai comprometer a felicidade futura.

Claro que viver como um monge tibetano talvez não seja o ideal para a maioria das pessoas, mas o segredo aqui reside na busca pelo ponto de equilíbrio. Não é tarefa fácil, mas a prática constante leva a uma vida mais equilibrada e feliz.




quinta-feira, 19 de setembro de 2024

O fim da Democracia

A estabilidade e longevidade de uma democracia é função direta da relação entre o bom senso dos governantes e a tolerância da população sob seu controle.

Atingir o posto de governante exige muito esforço e dedicação, logo, os que alcançam esse objetivo têm um forte desejo por poder. Se os Governantes têm inerentemente o desejo pelo poder, é natural que tentem se manter nessa posição a qualquer custo. Nesse processo, ocorre o desvio de finalidade da função pública, de servir à sociedade, e consequentemente a perda do bom senso em menor ou maior grau.

A prática de atos desprovidos de interesse público verdadeiro, sem o bom senso comum, leva ao aumento da insatisfação da população. Uma população insatisfeita vivendo em uma democracia tende a optar por uma troca de seus governantes, o que faz com que estes tentem subverter o processo democrático de diferentes maneiras, seja dificultando a entrada de rivais, implementando políticas populares de efeito no curto prazo, enfraquecendo as instituições, ou até mesmo a corrupção generalizada.

Segundo Alexander Tytler, uma democracia depende da virtude de seus cidadãos para funcionar corretamente. Sem cidadania perfeita, a democracia tende a se corromper e involuir em piores regimes políticos.

Ele parte do princípio de que em qualquer democracia, cidadãos imperfeitos votam de maneira egoísta escolhendo as políticas públicas que mais os beneficiam, ignorando o bem estar da sociedade como um todo. Nessa lógica, os governantes vão erodir as finanças públicas com políticas populistas voltadas para segmentos específicos, que tenham o peso suficiente para mantê-los no poder.

Com privilégios dos governantes cada vez mais exacerbados, a população geral se revolta cada vez mais, e acaba por entregar o poder a um líder autoritário que prometa uma sociedade mais justa e igualitária, encerrando a democracia existente.

Percebe-se que a falha da democracia nessa lógica, é depender do bom senso de seus cidadãos.

Em um mundo perfeito, as pessoas escolheriam governantes e tomariam decisões que beneficiem a sociedade como um todo, garantindo uma evolução gradual geração após geração, mas esse, infelizmente, não é o nosso caso.





sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Sociedade pós-monetária

O dinheiro só possui o valor que as pessoas subjetivamente lhe atribuem.

A cada dia que passa, percebo que esse valor vem diminuindo. O trabalho que antes era uma prioridade, assim como o acúmulo de patrimônio e aumento de renda, estão dando lugar à qualidade de vida e ao tempo gasto com a família.

Trata-se de uma transformação social sem precedentes na história humana. Há milênios o dinheiro tomou a posição de medida de valor entre os homens, servindo não apenas como meio de troca, mas como medida de sucesso e prestígio.

Agora o mundo está mudando e ao meu ver para melhor. À medida que as pessoas suprem suas necessidades mais básicas, escalando a pirâmide de Marlow, seus interesses e dedicação migram para outras atividades.

O risco é a sociedade migrar para o hedonismo, sucumbindo a realizações de curto prazo sem benefício real para o futuro, mas tenho esperança que um número razoável de seres humanos possam decidir despender seu tempo com ações mais efetivas para a evolução da espécie.

Sempre vislumbrei uma sociedade utópica, onde a medidas de sucesso de cada cidadão era a sua contribuição ao conhecimento coletivo da humanidade. Uma sociedade baseada em ciência e pesquisa onde os objetivos primordiais seriam o desenvolvimento científico e tecnológico, garantindo a resiliência da espécie e a sua proliferação pelo espaço afora.

São muitos os obstáculos até esse sonho, mas as recompensas seriam inimagináveis.